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A perfeição da imperfeição

  • Foto do escritor: Raquel Berlim
    Raquel Berlim
  • 7 de fev. de 2025
  • 2 min de leitura

Eu nunca me considerei uma pessoa perfeccionista. Qualquer pessoa que me conheceu na adolescência sabe que eu sempre fui bagunceira, inclusive. Agora mais velha consegui separar as coisas. Não ser perfeccionista não significa necessariamente que preciso ser desorganizada, e isso mudou minha rotina.


Hoje eu preciso de organização, pra ter constância nos compromissos que tenho, pra me ajudar a memorizar tarefas a fazer, pra conseguir separar efetivamente o momento do trabalho e o da vida pessoal e colocar um limite claro pro fim dele - ainda tenho a sorte de trabalhar de casa.


Hoje sou bem organizada. Vivo por uma regra que diz "se vai levar menos de um minuto, faz agora" que escutei em algum podcast um tempo atrás. E essa regra também mudou tudo. De fato, ao tirar do caminho essas pequenas coisas as tarefas não se acumulam e você te mais espaço - temporal e físico - pra tomar conta de coisas realmente importantes. Ela eu uso tanto no dia a dia quanto no trabalho e faz maravilhas pela minha lista de tarefas.


Meu ponto aqui é que, apesar de organizada, me vejo cada vez menos perfeccionista. Tenho muitas tatuagens e eu amo cada uma delas. Várias são completamente imperfeitas. Meio tortas, uma linha que não saiu tão boa, algum desenho que sinceramente não faz mais tanto sentido assim.


Mas a beleza pra mim tá exatamente aí! O fato de que tanto quem fez a tatuagem quanto eu mesma não somos perfeitos. Cometemos erros o tempo inteiro e algum pequeno detalhe não sai como esperado. E tá tudo certo!


Eu sempre tive esse traço de personalidade. Sei que meus pais ajudaram a me deixar assim ao não punir severamente e nem julgar de forma absurda meus erros no dia a dia. Só que tenho certeza que isso ficou ainda mais forte na faculdade. Durante grande parte do estudo da natureza você começa a entender que os ciclos naturais são absolutamente perfeitos, se complementam da maneira correta que deve ser, equilibrando as necessidades de todos os seres a sua volta. Mas dentro desses ciclos diversas imperfeições não impedem que o resultado final continue sendo o equilíbrio tão desejado.


Te dou um exemplo: o ciclo da água envolve desde a nascente de um rio, que corre até algum corpo de água maior pra infiltrar no solo novamente através da evaporação e começar tudo de novo (muito simplificado aqui, mas enfim). O ponto principal, não importa se um dia o rio que faz parte desse ciclo segue um caminho pela esquerda de uma pedra ou pela direita dela. O que importa é o todo, é o percurso completo que ele faz pra fazer parte de todo esse ciclo, entende?


E é assim que eu vivo quando vejo que um determinado caminho não serve bem pro propósito que eu imaginava. Não importa muito, é só um desvio. O objetivo maior, a intenção maior é a coisa que mais importa. E é nisso que a gente tem que focar pra conseguir desapegar de controlar as coisas e começar a ver a perfeição de tudo mesmo nas pequenas imperfeições dos detalhes.

 
 
 

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