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Saindo das redes sociais

  • Foto do escritor: Raquel Berlim
    Raquel Berlim
  • 8 de jan. de 2025
  • 3 min de leitura

Antes de qualquer coisa, preciso que você entenda que eu - como muitas pessoas - estava (ainda estou) viciada em redes sociais. Grande parte do meu dia era gasto rolando o feed de redes sociais vendo vídeos de pessoas que não conheço.


Já há um tempo me incomodava esse gasto de tempo e energia nesse ambiente que não é pensado no melhor pra gente, mas sim em como vender mais e melhor - imagens e produtos. Percebi que a maior parte do uso pra mim se resumia em comprar coisas que eu não preciso e saber sobre a vida de pessoas que não mudam a minha rotina.


Eu sei e entendo que, ainda mais pra quem tem pessoas queridas que moram longe, é complicado sair completamente de tudo já que as redes acabam sendo a única fonte de infomação sobre essas pessoas. Mas eu acho que a gente tem que começar a criar novas - ou retornar às velhas - formas de se conectar com quem a gente ama.


De verdade, responde aí com sinceridade: que diferença faz você saber que aquele amigo querido foi na praia ontem? Ou que aquela menina da academia tá viajando hoje? Ou que o vizinho foi naquele festival incrível?


A gente acaba usando as redes pra se comparar, mesmo que inconscientemente, com todas essas pessoas. "Esse amigo foi na praia num dia de sol que eu só fiquei em casa, caramba". "Poxa, a menina além de firme na academia ainda conseguiu viajar pra um lugar lindo e eu não fiz nem um, nem outro". "Caraca, o vizinho conseguiu pagar esse festival caro e eu to aqui batalhando pra fechar o mês".


A maior verdade do mundo é que rede social não mostra nem 2% da vida real dessas pessoas. Racionalmente a gente sabe disso. Mas vendo todos os dias, o dia inteiro, fotos e mais fotos, vídeos intermináveis de vidas alegres e perfeitas - porque só isso vai pra internet - a gente começa a questionar porque a nossa vida não é também perfeita e alegre.


A gente sabe que a vida de todo mundo é um caos. Se não sabe, te aviso. Todo mundo tá perdido, tentando encontrar um caminho que passa por entender o seu propósito, qual forma de vida você quer construir, qual é e será seu sustento financeiro, como se relacionar com as pessoas, etc. E todos os dias questões novas e mais complexas aparecem na vida de todos nós.


Mas na internet o que a gente mostra? O dia que foi no cinema numa segunda. Ou o prato daquele restaurante incrível. A realidade é maior, muito maior, do que o que a gente vê. Mesmo conscientemente sabendo disso, a gente se intoxica um pouquinho todo dia, passando dezenas e centenas de videos e fotos de desconhecidos com vidas - aparentemente - muito mais incríveis que a nossa.


Eu cansei. Cansei de o tempo todo estar ali direcionando minha energia pra isso. Baixei todas as minhas fotos e exclui permanentemente as redes.


Parte disso é político. As redes são feitas por homens bilionários - alô Luigi Mangioni - e como todas as mídias do mundo, elas possuem viés político. Um viés que eu não concordo. E eu cansei de brigar e lutar pelas regras deles. É perda de tempo a gente brigar pra produzir conteúdos nesses espaços sabendo que moderação - tendenciosa - vai dar muito mais visibilidade pra assuntos focados em reproduzir o discurso sistêmico.


Eu acho mesmo que a gente precisa ocupar espaços. Só acredito que isso tem que ser feito fisicamente, cara a cara, pessoalmente. Todos os dias, reproduzir discursos nossos, com base no que a gente acredita. Sem tentar conversão a cada esquina, mas combater os barulhentos com a nossa verdade sempre que for possível e seguro.


Confrontar pessoas nas redes já não tem o mesmo efeito. Li um dia uma pessoa falando: cada um já viu o lado que tá, já sabe o que tem lá e já escolheu permanecer ali, de que adianta seguir a discussão? Hoje em dia, a conversa olho no olho tem mais efetividade.


Pra além disso, pessoalmente, acredito que estar fora das redes vai me forçar a buscar mais os amigos distantes só pra perguntar como tão as coisas. E não se engane - não tem pra onde correr - de alguma forma eu sei que vou precisar usar alguma rede de comunicação que pertence a algum bilionário facistinha. Mas o quanto menos eu puder deixar isso dominar minha vida, é isso que eu vou fazer.


Mensagem bônus:

Te recomendo parar uns minutos pra ouvir esse podcast. Fala um pouco sobre essa saída das redes. Cada um vai ter seu motivo, nem sempre as mesmas motivações te levam a isso, mas é legal saber que já tem mais gente pensando da mesma forma por aí!






 
 
 

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