top of page
Buscar

Um dia "inútil"

  • Foto do escritor: Raquel Berlim
    Raquel Berlim
  • 9 de jan. de 2025
  • 3 min de leitura

Algumas vezes o fato de a gente passar um dia inteiro com zero produtividade, sem fazer nada de "útil", dá aquela sensação chata de culpa de que a gente devia ter feito mais. Eu sei que todo mundo já sentiu isso, principalmente vendo redes sociais onde - 24h por dia todos os dias - tem alguém fazendo alguma coisa.


Só que andei pensando aqui que ter um dia assim, sem nada pra fazer de produtivo dentro dessa lógica insana que a gente tá hoje, pode ser muito importante pra gente recarregar e conseguir ter tempo de processar os próprios pensamentos.



Eu realmente acredito que a gente recebe informação demais, tanta que nosso cérebro não tem capacidade ainda de compreender. Grande parte da nossa ansiedade tá aí, eu acho (lembrando que não sou profissional da área e que, se você se sente sobrecarregada(o) você deve procurar ajuda de uma psicóloga(o) profissional). Mas realmente receber informações demais em tão pouco tempo vai fazendo com que a gente se preocupe com coisas que muitas vezes estão fora do nosso alcance e que não podemos interferir nem se quiséssemos.


Um exemplo: eu gosto de acompanhar notícias políticas sobre o mundo. Não sobre partidos e pessoas na política, mas sobre relações internacionais, conflitos entre povos e injustiças sociais que acontecem todos os dias. São assuntos que realmente me interessam, mas qual a efetividade de eu saber o que tá acontecendo no mundo todo absolutamente o tempo inteiro?


Ter acesso a internet e à informação realmente permite que a gente veja muita coisa a partir de olhos diferentes além das grandes mídias - e isso é incrível. Mas qual o valor de eu simplesmente saber o que acontece se, na prática, não posso tomar ação? Já pensei muito na briga de narrativas. Que ao silenciar, a gente dá mais força pro discurso dominante e deixa que a história deles tenha mais força por ser contada mais vezes. Mas acho que tem outras formas de a gente fazer valer o que a gente acredita.


Meu ponto aqui é que, ao receber esse tanto de informação, a gente se sobrecarrega ainda mais. Isso somado a uma vida já completamente preenchida de compromissos e tarefas, porque temos que - na lógica capitalista - provar nosso valor pra sociedade através do quanto produzimos.


O negócio é que essa sina da superpodutividade não deixa espaço nenhum pra gente sentir a calma do tédio. O silêncio da nossa própria mente. Não permite um momento pra gente considerar também o que nós mesmos estamos colocando pra fora, porque o tempo todo tem alguma informação entrando ou existe a necessidade de não pensar pra completar uma determinada tarefa do dia que não podemos deixar pra depois.


Acho que todo mundo tinha que ter um dia na semana completamente dedicado a não fazer nada. Eu imagino que pra quem já tem filhos deve ser muito mais difícil. Mas na minha realidade é uma possibilidade.


Aproveitar um tempo de não fazer nada pra se escutar, pensar um pouco no que tem acontecido na vida. Deixar os pensamentos soltos se conectarem e avaliar o que a gente mesmo tá dizendo pra si. Não acho que seja um momento de fazer planos, não isso, mas de contemplação silenciosa mesmo. Sentar com os próprios pensamentos e divagar sobre o que quer que seja.


Tenta um dia, é impressionante o que você começa a aprender sobre si mesma.

 
 
 

Comentários

Avaliado com 0 de 5 estrelas.
Ainda sem avaliações

Adicione uma avaliação
bottom of page